Curso de 12 horas é o primeiro passo na preparação de quem começa agora a atuar como preceptor no projeto para, em seguida, integrar-se aos mais de 6.700 preceptores já ingressados em todo o Brasil.

Material da aula no curso. Crédito: Comunicação/PMSA/UFRGS
O Programa Mais Saúde com Agente passou a oferecer, a partir do dia 28 de abril, o Curso de Formação Inicial para cerca de 500 novos preceptores que ingressaram recentemente no projeto. A capacitação tem como objetivo promover um alinhamento com os profissionais que vão sendo incorporados ao longo do projeto, para que possam, posteriormente, integrar-se aos mais de 6.700 preceptores já em atividade, compondo as equipes de preceptoria e dando continuidade ao processo formativo que seguirá ao longo do programa.
Os encontros, realizados em formato virtual, ocorrem diariamente, com duração de duas horas, e são organizados em quatro grupos de preceptores de todo o Brasil, totalizando 12 horas de formação. Após essa etapa, que se estende até 26 de maio, os novos preceptores passam a fazer parte do processo formativo já em andamento, preparando-se para acompanhar os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate às Endemias (ACE) em sua qualificação técnica. Cada aula também conta com a presença de um coordenador regional e uma pessoa da secretaria.
Segundo o professor Sondre Alberto Schneck, responsável por ministrar as aulas, além da capacitação, as principais ações do curso são o acolhimento, a integração e a adaptação dos novos ingressantes. “Alguns ainda não foram contatados pelos supervisores, mas podem ficar tranquilos. Uma vez que receberam a chamada para esta formação, isto significa que já estão tramitando nos nossos sistemas e seu supervisor e a coordenação regional estão sendo informados da sua entrada no programa. Em breve, todos receberão orientações para integrarem a equipe e continuarem o processo de formação e o suporte para o desenvolvimento das atividades práticas com os estudantes ACS e ACE de seus municípios”, explica.
Os encontros também proporcionam a oportunidade de esclarecimento de dúvidas, trocar experiências e se preparar para ingressar nas plataformas utilizadas no curso. “A iniciativa de começar a formação imediatamente após o ingresso dos preceptores mais recentes demonstra a responsabilidade do Programa e o compromisso da Coordenação da Preceptoria com quem atendeu às chamadas do segundo edital”, enfatiza Schneck.
Pedagogia do Território e Metodologias Ativas
O curso tem ênfase em dois pilares fundamentais: as Metodologias Ativas e a Pedagogia do Território. De acordo com o professor Sondre, o suporte pedagógico é centrado nestas abordagens e no protagonismo do estudante: “O preceptor tem sempre que refletir, pensar, problematizar e caminhar junto a partir das questões que os estudantes trazem”. Pela perspectiva da Pedagogia do Território, os preceptores são impulsionados pelo propósito de conduzir os estudantes a uma reflexão crítica, estimulando-os a problematizar e ressignificar as experiências vividas nas relações sociais e no contexto da saúde. A abordagem, fundamentada nos conceitos do geógrafo brasileiro Milton Santos, transcende a mera observação, convidando à construção de um olhar analítico e transformador.
“Já as Metodologias Ativas ajudam a propor resoluções, proatividade, algo que tenha algum sucesso”, ressalta o professor. Ele exemplifica como os agentes podem usar estas metodologias em situações práticas, como ao identificar possíveis focos de dengue em uma residência: “Os agentes são estimulados a ir além de simplesmente eliminar água parada e focos do mosquito, buscando entender as crenças e valores das famílias. Por que deixam a água desse modo? A partir daí, não é mais só derrubar a água do pratinho, mas trabalhar com esses valores. Além de remover os focos, torna-se essencial dialogar com os moradores, promovendo a conscientização sobre saúde e incentivar o compromisso no combate à dengue”.
Assim, o conhecimento adquirido pelos preceptores durante esta formação se propaga entre os estudantes (ACE e ACS) e na prática junto à população, promovendo mudanças que favorecem o aprimoramento do Sistema Único de Saúde como um todo. O professor Sondre também enfatiza a importância da dimensão afetiva na relação entre preceptores e estudantes.
“Ser preceptor é ser essa referência como professor, como alguém que caminha junto, no sentido teórico, mas muito também no sentido afetivo. O preceptor é aquele que também utiliza da mobilização dos afetos com os estudantes para que essa aprendizagem seja significativa, entre não só na mente, mas faça sentido na vida deles.”
Combate à evasão
Outra preocupação destacada pela Coordenação da Formação – liderada pela professora Roselane Costella, vice-coordenadora de Preceptoria – é o combate à evasão. “Aprendemos que não há práxis pedagógica sem pensar nas ações antievasão”, relata Schneck, citando a professora. Ele complementa: “Um professor nunca vai estar diante da sua sala de aula, do seu grupo de estudantes ou de sua preceptoria, no caso um preceptor, sem pensar naquele estudante que não está vindo ou naquele que tem alguma dificuldade para realizar as atividades”.
Portanto, ao longo desta etapa de formação, os preceptores são orientados a investigar sistematicamente as dificuldades dos estudantes. Além disso, desenvolvem habilidades essenciais para planejar e conduzir encontros educativos, preparação de conteúdos, organização de materiais pedagógicos e aplicação das abordagens pedagógicas na prática. A avaliação também faz parte do processo, ajudando os preceptores a adaptar suas abordagens conforme as necessidades dos estudantes e a realidade local. “Todas estas reflexões são realizadas a partir de atividades tanto dos aspectos pedagógicos como a partir das disciplinas que têm atividade prática”, assinala Schneck.
O Curso de Formação Inicial faz parte de um esforço maior para qualificar os serviços de saúde em todo o País e já tem apresentado resultados positivos. “Os agentes de saúde, de fato, expressam essa transformação no trabalho deles”, conta o professor. Entre os avanços já observados estão maior integração com as equipes das unidades de saúde, ampliação da visão para ações intersetoriais e aumento do sentimento de pertencimento e valorização profissional.
O Programa Mais Saúde com Agente formará todos os preceptores ingressantes em um curso de 60 horas, sendo 12 horas antes de iniciar as atividades práticas com os estudantes. “Nesse momento, além dos mais de 6.700 preceptores que já estão em processo de formação, estamos acolhendo 536 novos preceptores, também conhecidos como Extensionistas Visitantes, para os cursos técnicos de ACE e ACS em todo o Brasil. Essa formação inicial se dará a cada novo processo seletivo de preceptores que acontece por meio de edital público”, complementa a professora Saionara Wagner, coordenadora da Preceptoria.
O Mais Saúde com Agente é o maior programa de formação técnica na área da saúde do Brasil no formato híbrido (metodologia na qual estudantes vivenciam o processo de aprendizagem por meio das modalidades presencial e a distância). A ação é realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), através de formação continuada e suporte pedagógico estruturado, e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Ao investir na capacitação de preceptores e agentes técnicos de saúde, o Programa contribui para a melhoria dos indicadores e da qualidade do atendimento oferecido à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente nas comunidades mais vulneráveis.
