Encontros são fundamentais para garantir que os estudantes dos cursos técnicos compreendam a estrutura do projeto e suas particularidades.

Visita técnica em Linhares / ES. Crédito: PMSA/UFRGS/Ministério da Saúde
O Programa Mais Saúde com Agente — coordenado nacionalmente pelo Ministério da Saúde em parceria com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — tem nas visitas técnicas um dos seus principais diferenciais. Essas ações estratégicas aproximam a universidade dos municípios participantes, permitindo acompanhar de perto sua implementação e fortalecer a atuação local. As visitas são conduzidas por equipes multidisciplinares da universidade, compostas por professores, técnicos especializados nos eixos de tutoria, preceptoria e secretaria acadêmica, além de pós-graduandos e pós-doutorandos vinculados à pesquisa, garantindo o suporte qualificado em todas as etapas do projeto.
Durante as visitas são realizadas reuniões com gestores municipais para avaliar a organização local do programa, identificar responsáveis pela coordenação e esclarecer dúvidas operacionais. Além do contato com os gestores, as visitas técnicas também priorizam a interação direta com os profissionais em formação, como explica a vice-coordenadora-geral acadêmica do projeto, professora Daniela Riva Knauth.
“Organizamos reuniões com os estudantes que estão atuando no programa para explicar sobre o andamento do curso, em que momento estamos e o que virá a seguir. Esclarecemos que o curso tem uma etapa conjunta para Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias, seguida por uma parte específica para cada categoria profissional. Esses encontros são fundamentais para garantir que todos compreendam a estrutura do programa e suas particularidades”.
Em um projeto que contempla todo o Brasil é preciso adequar o programa de forma constante às realidades locais, pois cada município tem problemas e características que exigem a adaptação de ações. De acordo com a professora, as visitas ajudam a compreender melhor as particularidades de cada localidade: “Nestas reuniões, também aproveitamos para ouvir os estudantes, conhecer suas dúvidas e entender as questões específicas do município e da realidade local. Isso nos permite, ao retornarmos, orientar melhor tanto os tutores quanto os preceptores envolvidos com aqueles estudantes em relação às questões locais”.
A iniciativa também inclui visitas às Unidades Básicas de Saúde (UBS) para observar em campo como as equipes estão recebendo os estudantes e como eles se organizam em seus ambientes de trabalho. Recentemente, com o início da Preceptoria, as visitas também passaram a reunir os preceptores locais para avaliar o desenvolvimento das atividades e identificar possíveis dificuldades. Este processo de acompanhamento permite a avaliação contínua do programa, fornecendo feedbacks essenciais para customizar aspectos do projeto conforme as necessidades específicas de cada localidade. “Para a equipe da UFRGS, incluindo professores, técnicos e bolsistas, estas visitas representam uma oportunidade valiosa de observar na prática como o trabalho teórico se materializa na ponta do sistema”, avalia Daniela.
Para a professora, a aproximação entre universidade e municípios fomenta o engajamento e apoio da gestão local, determinantes para que o projeto atinja seus objetivos nas diferentes realidades do Brasil. “As visitas são muito gratificantes e servem para esclarecer várias dúvidas sobre o desenvolvimento do programa e para levar um pouco da universidade a esses diferentes cantos do País, mostrando aos alunos que existimos de carne e osso e que temos interesse por todos eles. Embora não tenhamos condições de visitar os mais de 5.000 municípios que integram o programa, realizamos as visitas na medida do possível. Em geral, os estudantes e a gestão se sentem bastante valorizados com a presença da universidade no local”, destaca.
Os critérios para seleção dos municípios seguem uma metodologia específica. A prioridade é dada aos municípios com maior número de estudantes participantes, especialmente aqueles com mais de 400 alunos, que geralmente correspondem às cidades de maior porte. A equipe também aproveita estas viagens para visitar um ou dois municípios vizinhos, otimizando os deslocamentos.
Outro critério importante considera as localidades que enfrentam dificuldades para recrutar preceptores em número suficiente. Nestes casos, a equipe estabelece contato com os gestores municipais e realiza visitas especialmente para divulgar editais, explicar a importância da preceptoria e motivar profissionais locais a se inscreverem, garantindo que os estudantes tenham o acompanhamento necessário nas atividades práticas e no andamento do curso.
As visitas técnicas do projeto reforçam, assim, a ponte entre sala de aula, protagonizada pela UFRGS, serviço e comunidade: ajudam a aperfeiçoar o cuidado de acordo com as demandas locais em um ciclo contínuo de monitoramento e ajustes, qualificando a assistência na Atenção Primária e na Vigilância em Saúde e o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como um todo, a fim de entregar respostas efetivas e centradas nas pessoas.
O Programa Mais Saúde com Agente é uma ação do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). É o maior programa de formação técnica na área da saúde do Brasil no formato híbrido (metodologia na qual estudantes vivenciam o processo de aprendizagem por meio das modalidades presencial e a distância, de forma integrada) e, em suas duas edições, já conta com a adesão de 98% dos municípios do País.
